sábado, 13
 de 
agosto
 de 
2022

Já estamos usando o cheque-especial

No último dia 28 de julho lamentamos a chegada do Dia da Sobrecarga Global. Segundo este indicador, desenhado pelas ONGs Global Footprint Network e WWF, nesta data os recursos naturais produzidos para o ano inteiro se esgotam sendo necessários 1,75 planetas Terra para sustentar o consumo de toda a população global. Esta data é assustadora quando a comparamos a outros anos.

A data, que era registrada em dezembro nos anos anteriores a 1973, na década de1980 passou a ocorrer em novembro. Ela foi para outubro em 1990, para setembro nos anos 2000 e agosto em 2010. Em 2019, a data foi registrada em 29 de julho, em 2020 no dia 22 de agosto (devido a pandemia e consequente isolamento social) mas em 2021, a data voltou a acontecer em julho, no dia 29.

Este cálculo é feito a partir da Pegada Ecológica. A lógica dele dá-se por todas as nossas ações desenvolvidas no planeta. A emissões de gases do efeito estufa, resultados do desmatamento, da queima de combustíveis, atividades agrícolas e agropecuárias, e poluição são exemplos de pegada. Este método de contabilidade ambiental avalia a demanda do ecossistema, de acordo com a capacidade que o planeta tem de se recuperar das agressões que recebe. O valor estimado, então, é dividido pelos 365 dias do ano. Podemos daí dizer que a partir do Dia da Sobrecarga da Terra, o planeta entra no cheque-especial e o saldo de recursos naturais que seria destinado às próximas gerações passa a ser utilizado. Segundo as duas ONGs envolvidas neste trabalho, seriam necessários 1,75 planetas Terra para sustentar o consumo de toda a população global. Ainda segundo este trabalho, apesar de a data brasileira acontecer 15 dias depois do dia global, não há muitos motivos para se comemorar. Desde 2016 não se desmata tanto na Amazônia. Só no primeiro semestre de 2022, 3,988 km2 de vegetação nativa na Amazônia foram devastados, o correspondente a 2,6 vezes o tamanho da cidade de São Paulo, dado que não ocorria desde 2016. Além disso tivemos um aumento de 17% de focos de queimadas comparado ao mesmo período de 2021. Realmente temos muito o que avançar na diminuição de nossas pegadas. Vale lembrar que este cheque-especial cobra juros altos principalmente na saúde e na economia de nossa sociedade.

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