domingo, 21
 de 
julho
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2024

De onde vem a onda extra direita?

Quando começou a campanha eleitoral muitos acreditavam que a disputa pela presidência se concentraria mais uma vez entre nomes já tradicionais da política no Brasil, como de Geraldo Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes. A candidatura do deputado carioca Jair Bolsonaro era vista como um balão de ensaio, ou seja, algo que não ganharia corpo. No entanto, a cada dia que se aproximava o início do pleito ficava mais evidente que a onda da extrema direita vinha forte e duradoura. E o eleitor, curiosamente, já tinha se decidido.

Se por um lado o extremismo de Jair Bolsonaro tinha forte rejeição, por outro ganhava simpatizantes e fiéis seguidores. E até agora, em pleno segundo turno da eleição, ainda se busca a explicação que melhor defina o sucesso eleitoral da extrema direita. Os eleitores de Bolsonaro, que por pouco não venceu no primeiro turno, são todos iguais e aprovam seus discursos inflamados contra o crime e outros temas sensíveis, como homossexualismo e religião? Possivelmente não.

Muitos eleitores de Bolsonaro não pensam como ele e até não concordam com algumas de suas posições, mas encontraram na sua candidatura a presidência da república o contraste e o diferente dos políticos tradicionais. E essa onda, que deu 46% dos votos para o presidenciável do PSL no primeiro turno, teve reflexos gritantes em todo o país, com a eleição de deputados e senadores que surfaram na onda do discurso extremista.

É preciso admitir ainda que muitos eleitores, infelizmente, desenvolvem sentimentos e atitudes racistas e preconceituosos e aproveitaram a candidatura de Bolsonaro para se revelar e considerar a possibilidade ao direito de exposição. Algo triste e inaceitável.
Além de não pensar como Jair Bolsonaro, muitos eleitores acabaram por fazer suas escolhas baseando-se no voto contra o Partido dos Trabalhadores (PT), contra a violência e contra a corrupção. Embora Bolsonaro já esteja deputado federal por trinta longos anos e pouco mostrou contra tudo isso. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi a maior vítima da corrupção pública nos últimos tempos, justamente o estado sede do presidenciável e da sua família, incluindo seus filhos, também deputados.

Independente disso, Bolsonaro conseguiu verbalizar – e da forma mais simples e popular possível – muito do que o cidadão brasileiro fala a todo tempo e em todo o lugar. O medo dos bandidos e impunidade dos crimes, a roubalheira do dinheiro público, e a necessidade da preservação dos valores e da família. Assim, sem meias palavras e objetivo, ele foi ganhando eco e consolidando seu público.

A eleição presidencial não está decidida, ainda temos pouco mais de uma semana pela frente, mas a onda da extrema direita já demonstrou que o eleitor brasileiro tem um novo comportamento. O resultado dessa nova postura vai precisar de muita reflexão e estudos. E o mais importante, que frutos vamos colher dessa nova safra.

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