segunda-feira, 23
 de 
maio
 de 
2022

Crime político em Piên completa um ano

Loir Dreveck se preparava para assumir a administração do município. Foto: Arquivo/O RegionalNinguém poderia imaginar que a pacata cidade de Piên ganhasse as manchetes nacionais e se tornasse conhecida por dois atos de expressiva crueldade. O último ano ficará marcado na história do município após dois assassinatos que foram resultado do interesse pelo comando político do município.

O primeiro crime aconteceu na manhã do dia 6 de dezembro de 2016, quando o técnico de segurança do trabalho Genésio de Almeida ia para a empresa, entre Piên e São Bento do Sul. Ele foi encontrado dentro do carro, à beira da estrada, com um tiro na cabeça. Na época, ninguém conseguiu entender o motivo do crime e a polícia tratou como tentativa de assalto.

Oito dias depois, um novo crime no mesmo percurso da rodovia entre Piên e São Bento do Sul. Dessa vez era o prefeito eleito Loir Dreveck que se deslocava com a família sentido Santa Catarina. Um motoqueiro se alinhou ao veículo e fez vários disparos. Loir ainda foi socorrido com vida e encaminhado ao hospital, mas não resistiu e faleceu três dias depois.

Após as mortes, população foi às ruas e em caminhada clamou por paz. Foto: Arquivo/O Regional

Dois crimes com total semelhança geram muitas desconfianças. A polícia fez um trabalho de investigação elogiável e em pouco mais de um mês chegou aos acusados pelos crimes. Quatro pessoas foram presas. O ex-prefeito de Piên Gilberto Dranka (PSD), acusado de encomendar o crime contra Loir Dreveck, o então presidente da câmara de vereadores, Leonides Maahs, o mecânico Orvandir Pedrini e o possível atirador Amilton Padilha. Todos foram enquadrados nos crimes de associação criminosa e homicídio qualificado.

A motivação

Prefeito eleito estava no banco dianteiro do carro da prefeitura quando foi alvejado por disparos de arma de fogo. Foto: Ricardo Otto/A GazetaLoir Dreveck fazia parte do grupo político de Gilberto Dranka e Leonides Maahs e foi o candidato a prefeito apoiado pela situação. Dranka estava deixando a prefeitura da cidade após oito anos de mandato e pretendia que seu grupo continuasse no comando. A princípio, deu certo, venceram as eleições municipais numa disputa bastante apertada. No entanto, Loir Dreveck, que era um dos políticos mais experientes da cidade e com mais de 20 anos de prefeitura, já nas primeiras reuniões pós eleição teria dado mostras de que faria um governo independente das vontades do grupo e dentro de suas convicções, inclusive com substituições de cargos comissionados e secretários. E também não daria continuidade em algumas propostas da gestão de Dranka. Diante disso e temendo não ter suas vontades atendidas, Dranka teria arquitetado o plano de tirar Loir do caminho.

Morte por engano

O plano do assassinato teria contado com a participação de quatro pessoas. A data para execução foi planejada de forma conjunta, mas o atirador contratado, segundo a polícia, errou e matou Genésio de Almeida por engano. No dia 6 de dezembro estava prevista uma viagem de Loir Dreveck para São Bento do Sul. A informação foi repassada ao atirador, inclusive com modelo e cor do veículo. Por ironia do destino, Genésio Almeida era fisicamente parecido com o prefeito eleito e estava indo no mesmo caminho com carro da mesma marca e cor que Loir estaria utilizando. Foi assassinado sem ter nenhuma relação com a trama.

O quarteto

Gilberto Dranka e o então presidente da câmara de vereadores, Leonides Maahs, são apontados pelo Ministério Público como os mandante do crime. Com Loir morto, quem assumiria a prefeitura seria o vice-prefeito, Livino Tureck, que havia passado recentemente por tratamento contra o câncer. Caso Tureck não pudesse governar a cidade, quem assumiria seria Maahs, já que seria o primeiro na linha de sucessão se fosse reconduzido à presidência do legislativo. Orvandir Pedrini era dono de uma oficina mecânica que prestava serviço à Gilberto Dranka e ele teria sido o responsável por contratar o atirador Amilton Padilha. Pedrini informou a polícia que teria vantagens num eventual governo sem Loir Dreveck.

Júri Popular

Após dias de audiências, no mês de junho, a Vara Criminal da Justiça em Rio Negro, comarca de Piên, decidiu que os quatro envolvidos nos dois crimes devem ir a júri popular. Gilberto Dranka, Leonides Maahs, Orvandir Pedrini e Amilton Padilha permanecem presos e já tiveram vários pedidos de liberdade negados. Não há um prazo estipulado de quando será marcado o julgamento.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email