segunda-feira, 18
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outubro
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2021

Após safra difícil, venda do tabaco também preocupa os fumicultores

Pedro mostra o tabaco produzido nesta safra e que teve avaliação abaixo do esperado. Foto: Arquivo/O RegionalAs condições climáticas adversas trouxeram grandes prejuízos para a safra do tabaco 2018/2019. As chuvas excessivas na época do plantio, seguido de temporais de granizo e de altas temperaturas durante o desenvolvimento da lavoura, ocasionaram em perdas de produção, afetando também a qualidade final do tabaco. Somado a estes fatores, os fumicultores reclamam da classificação rígida das empresas fumageiras na compra.

Um dos agricultores descontentes com esta safra é Pedro Drevek, da localidade de Palmitos, em Agudos do Sul. Ele conta que plantou 50 mil pés de fumo, no entanto, uma chuva de granizo danificou 300 mil folhas. “Perdi cerca de 2 mil quilos da parte da copa da planta, que é a mais valorizada. Se tivesse ocorrido a colheita normalmente, esperava obter cerca de R$ 18 mil, mas como houve este imprevisto, recebi somente R$ 12 mil que o seguro cobriu”, recorda Drevek. Após ter este prejuízo, as altas temperaturas foram determinantes e afetaram de forma direta a lavoura. “Calculava que iria colher cerca de 9 mil quilos, mas, infelizmente, somente 4,5 mil foi o que consegui”, lamenta.

Com toda esta dificuldade, compartilhada por um número expressivo de produtores, Drevek conta que a venda do tabaco também tem sido um fator preocupante. “Comercializei uma parcela da melhor parte do fumo, estimava cerca de R$ 12,00 o quilo. Mas, o máximo que obtive foi R$ 7,79 o quilo. Somente na última venda, calculo uma perda de R$ 4 mil”, comenta Drevek, que após 45 anos dedicados à fumicultura quer buscar outra alternativa de renda. “O custo de produção aumenta a cada safra, nesta paguei aproximadamente R$ 12 mil entre o pedido, insumos e seguro. Em contrapartida, temos uma classificação rígida, sem critérios e reajuste de preço abaixo do necessário. Em virtude disso, buscarei uma nova alternativa de renda na lavoura”, ressalta Drevek, salientando que antes não havia tanta tecnologia e a rentabilidade era melhor.

Para o coordenador do sistema mutualista da Afubra de Rio Negro, Edemar Pedro Konkel, nesta safra a área plantada foi maior, mas a produção ficará abaixo. “Isso é reflexo de todo panorama climático. A qualidade também foi afetada e ficou aquém do esperado”, pontua Konkel. A Afubra recomenda que os produtores acompanhem o processo de compra e redobrem a atenção quanto à classificação. “É preciso ter estes cuidados para que os números sejam os melhores possíveis”, salientou.

O processo de venda do tabaco deverá se estender até o mês de junho, quando então já se inicia a preparação para uma nova safra.

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