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junho
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2021

Um ano no combate: os heróis da linha de frente do novo coronavírus

foto -linhadefrenteEm janeiro deste ano, o número de profissionais de enfermagem mortos por Covid-19 cresceu 422%, de acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). No primeiro mês deste ano, 47 profissionais de enfermagem foram vítimas do coronavírus, sendo 9 mortes em dezembro e 7 óbitos em novembro. Desde o início da pandemia em março de 2020, os últimos dois meses deste ano tiveram o menor número de mortes desses profissionais.

O mês com maior número de mortos foi maio de 2020, com 104 profissionais. As vítimas foram 567, sendo 163 enfermeiras, 338 técnicas de enfermagem e 66 auxiliares de enfermagem. Os casos confirmados nesta categoria são próximos a 44 mil.

O último ano foi de muito cansaço físico e mental pra muita gente, especialmente para aqueles que tem o papel de salvar vidas de pessoas: os profissionais da linha de frente. Eles são comparados a verdadeiros super-heróis, mas da vida real.

Médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de limpeza, são alguns dos responsáveis por garantir a coragem e ânimo de centenas de pacientes e famílias. Profissionais esses, que passam por momentos de esgotamento e cansaço. E, mesmo com tudo isso, transmitem tranquilidade com olhares, já que abraços e apertos de mão estão proibidos.

Eles estão nos hospitais desde março do ano passado, quando todos pediam: “Fique em casa”. Cuidando e tratando de pessoas que nunca viram, uma vez sequer na vida. Ficando assim, em contato direto com o coronavírus. Passam o dia inteiro, em plantões de doze horas ou mais, com máscaras sufocantes, que raspam a pele do rosto. Enquanto muitos, temem em achar desconfortável uma máscara de pano.

Os aplausos registrados no início da pandemia, já não são ouvidos com tanta frequência como antes, mas, os motivos para agradecer estes profissionais só aumentou. No futuro, não serão apenas super-heróis, mas sim, ícones resistentes, que foram responsáveis pelo registro mais importante do país.

A enfermeira de Fazenda Rio Grande, Tatiane Ferrari, conta que quando iniciou o trabalho na linha de frente da Covid-19, teve que parar de ver seu pai, pois ele tem imunidade baixa. “Ajudava minha mãe, nos dias de folga, sempre estava ali, ajudando ele”, conta.

“Eu não sabia se estava vindo pra casa contaminada ou não”, Tatiane afirma. Além de evitar a aproximação com seu filho. “Sabia que se trouxesse o vírus para algum deles, nunca iria me perdoar”, narra. Em julho de 2020, a profissional foi diagnosticada com o vírus.

“Foram quatorze dias de muito medo, um pesadelo”, afirma. A enfermeira teve que pedir para que o filho ficasse morando um tempo com a avó. Ao sair pra trabalhar depois do tratamento, voltou sem agilidade e muita insegurança. A profissional atuava em dois hospitais, mas as circunstâncias a fizeram pedir demissão de um. “A gente volta com o emocional abalado, muito difícil de explicar”, finaliza.

A médica e diretora técnica do Hospital de Mandirituba, Marina Pedral, afirma que tudo mudou na sua rotina. “Depois que a pandemia se instalou, a minha vida não foi mais a mesma”, cita. Por conta da tensão e a atenção com a transmissão do vírus. “Quando eu chego em casa tenho medo de contaminar alguém que amo”, desabafa. A médica relembra a dor de perder colegas de trabalho na luta contra a pandemia. “Você chega no trabalho e vê que perdeu colegas de trabalho, que até o dia anterior estavam ali, dividindo o mesmo ambiente”, narra.

A médica fala que com a chegada da vacina, nasce uma esperança de dias melhores. “Mesmo com pandemia, pelo menos agora a gente tem uma arma”, argumenta. A doutora tem fé e esperança que em breve, a pandemia fará parte da história.

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