segunda-feira, 26
 de 
julho
 de 
2021

Prefeitos tem que decidir entre vidas ou política

Editorial: Redação 

O Paraná vive o momento mais dramático desde o início da pandemia em março do ano passado. Se muitos acreditavam que teríamos um 2021 mais confortável e esperançoso em relação ao ano anterior, o que se vivencia atualmente não é nada acalentador. Pelo contrário, virou preocupação generalizada e o eminente colapso no serviço público de saúde.

Enquanto não se tem vacina na medida e quantidade necessária e também não é realidade para as cidades locais a existência de leitos em Unidade de Terapia Intensiva – UTI, sendo que todas se valem da capital e outras cidades neste caso, o único “remédio”, ainda que preventivo, é a prática do isolamento social. Para isso, os prefeitos precisam decidir entre preservar vidas ou fazer política.

A questão é muito simples. Embora o Governo aplique medidas restritivas através de decretos estaduais, nem todos os municípios cumprem a risca o que é determinado. Comércios e serviços que deveriam seguir as regras desse período de semi-lockdown acabam funcionando e para não perder capital político ou entrar em atritos locais os prefeitos fazem vista grossa. São esses casos que contribuem para a circulação das pessoas e consequentemente a proliferação do vírus.

É fato que muitos setores sofrem com a pandemia e estão vendo suas receitas comprometidas, em alguns casos, até mesmo sua sobrevivência. Mas neste momento, o que tem maior peso é o cuidado com a saúde e a preservação da vida. O próprio governador Ratinho Junior chegou a dizer nesta semana que mais vale “a verdade que dói do que a mentira que conforta”, se referindo a necessidade de restringir a circulação e evitar o colapso na área da saúde.

Por mais penoso que seja para os dirigentes municipais restringir atividades em suas cidades, esse é um momento crucial e que atitudes impopulares são decisivas para evitar uma marca que pode manchar toda uma gestão. E não é mesmo uma tarefa fácil. Nos grandes centros os governantes conseguem manter uma certa distância da realidade cotidiana dos seus munícipes, já nas cidades menores, o comerciante que fica com a loja fechada ou o prestador de serviço que deve ficar em casa, são vizinhos, colegas de futebol, da igreja ou até amigos do prefeito, e essa proximidade deixa qualquer tomada de decisão ainda mais difícil.

Em todo esse contexto se o negacionismo estiver presente na linha de atuação de determinado gestor, aí o problema é ainda muito maior.

São ônus e bônus de quem está em cargo de direção e mantém poder de decisão. Neste momento da nossa história, em especial, essas decisões estão diretamente relacionadas com a vida das pessoas. E o tempo, entre outras coisas, é cruel, ele pune seja pela ação ou pela falta dela.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email