sábado, 9
 de 
dezembro
 de 
2023

Investir com qualidade

Por Gilson Santos – Diretor Presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Governo do Paraná (AMEP)

Em todo o mundo existe uma grande briga contra o automóvel e a cada dia ela aumenta mais. Os fatores são diversos: poluição, acidentes, ocupação do espaço urbano, custos, engarrafamentos e até mesmo barulho. A poluição parece ser o grande motivador, incentivando em grande escala a adaptação para carros elétricos, mas mesmo assim ela não elimina todos os outros danos que o automóvel causa.

Para muitas cidades mais antigas, temos muitos e bons exemplos na Europa, os prédios históricos em sua maioria não possuem nem vaga para carros. O que torna esta luta muito mais fácil de resolver. Em muitos casos é basicamente impossível ter um carro.

Muitas pessoas passarão a vida, por exemplo, sem nunca ter tido um carro. E isso não tem nada a ver com sua condição financeira. É um estilo de vida. Este estilo de vida é tão enraizado nestas populações que mesmo os edifícios mais novos muitas vezes são construídos sem vagas para garagens. E eles preferem assim. Grandes cidades como Nova Iorque também são assim. Em Manhattan, o grande centro comercial de Nova Iorque, uma vaga de estacionamento é tão absurdamente cara que também é algo impensável para o cidadão comum. No caso do Brasil, a cultura do automóvel é muito mais forte e incentivada até os dias atuais, e infelizmente se não começarmos a tomar a direção oposta o problema só irá aumentar.

É interessante compreender como construir mais rodovias, dificilmente irá melhorar a questão da mobilidade. Ela só irá incentivar ainda mais o uso do carro, o que irá gerar mais engarrafamentos e exigirá mais rodovias. É uma

“Bola de neve” sem fim e muito cara para a sociedade. Ao contrário disso, ou seja, inviabilizar o uso do carro, como muitas destas cidades fazem, obriga as pessoas a utilizarem sistemas alternativos. É claro que é uma obrigação do Estado prover sistemas alternativos de qualidade, e estamos falando em boas calçadas para se andar, boas ciclovias, ônibus barato, integrado e de qualidade. Mas enquanto estivermos gastando bilhões de reais incentivando o uso do automóvel, dificilmente sobrará algum dinheiro para todos os demais sistemas. A hora de repensar é agora.

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