sexta-feira, 24
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setembro
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2021

Funerárias também enfrentam dificuldades diante da pandemia

Gustavo conta que procedimento para retirada dos corpos tem novas exigências. Foto: DivulgaçãoNa contramão de várias cidades em todo país onde há colapso no atendimento, o sistema funerário da região vem atendendo normalmente a demanda. De acordo com as empresas que atuam neste ramo, o número de serviços diminuiu consideravelmente nos últimos meses, quando também foram implantadas diversas regras de proteção devido a Covid-19.

Atuando neste segmento há vários anos com a Funerária Bom Jesus de Mandirituba e Quitandinha, o empresário Gustavo Henrique Marques da Silva relata que uma série de alterações foram impostas com a pandemia. “Nas cidades onde trabalho, os velórios devem ser realizados preferencialmente nas capelas, com número máximo de 10 pessoas no ambiente interno, sendo obrigatório uso de máscaras e a disponibilização de álcool gel”, detalha Silva, pontuando que o tempo máximo para despedida é de três horas. “É algo muito difícil para todos, haja visto que muitas vezes familiares distantes não conseguem chegar a tempo”, lamenta.

Em situações onde a pessoa que entrou em óbito é caso confirmado ou suspeito de Covid-19, as funerárias são obrigadas a realizarem diretamente o sepultamento. “O próprio hospital faz o isolamento do corpo e, em seguida, temos que lacrar o caixão”, conta o empresário, salientando que o uso de equipamentos de proteção é obrigatório. “Além de luva e máscara, antes já utilizados, agora são necessários também macacão, bota e óculos, além de reforçar a higienização nos veículos e objetos”, conta.

Jair Pires relata que a pandemia trouxe uma série de restrições a serem cumpridas pelas empresas do sistema funerário. Foto: Arquivo/O Regional

Quem também relata dificuldade neste momento de pandemia é o empresário Jair Cavalheiro Pires, da Funerária Pires, em Piên. “Por causa da idade, pertenço ao grupo de risco e não posso atender funerais onde haja suspeita ou confirmação do coronavírus”, relata Pires, que ficou em quarentena após realizar o atendimento de um funeral onde a suspeita da causa da morte era Covid-19. “Foram 14 dias de quarentena, sem poder atender nenhum outro serviço. Felizmente, a suspeita não se confirmou”, comenta.

Em meio à pandemia, onde havia uma projeção de aumento no número de mortes, o sistema funerário tem tido caminho inverso e apresentado menor demanda do que em anos anteriores. “As cirurgias e outros procedimentos de risco foram suspensos, além da diminuição dos óbitos causados por acidentes de trânsito, fator este ocasionado devido ao isolamento social”, explica Pires, analisando o cenário atual. “O sistema funerário não apresentou grandes mudanças, principalmente no que consiste em valores. Todo o segmento tem atendido com normalidade, ao contrário de outras cidades e países onde houve colapso”, enfatiza.

As empresas funerárias ressaltam que o momento é preocupante para todos os setores, torcendo para que a pandemia cesse e a vida possa voltar à normalidade. Em casos de funerais, a esperança é que as pessoas possam ter um velório digno, onde os familiares e amigos possam ao menos se despedir.

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