sábado, 19
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junho
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2021

Estiagem segue intensa e preocupa o fornecimento de água no Paraná

Com menos de 35 por cento do volume de água, represa Passaúna tem um cenário desolador. Foto: Gilson Abreu/AENO Paraná segue sendo duramente castigado por uma das mais severas estiagens das últimas décadas. Com chuvas abaixo do previsto há mais de um ano, o Estado estabeleceu em abril o estado de emergência hídrica, o que possibilitou a adoção de uma série de medidas de contenção para evitar o desabastecimento de água.

A previsão do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), é de que o período seco predomine neste resto de inverno, com chuvas abaixo do volume esperado. “A estiagem já dura mais de um ano no Estado e a expectativa é de que ela se prolongue, pelo menos, até as próximas chuvas de verão, a partir de dezembro”, explica o diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvim. “Esta situação preocupa porque precisamos de ao menos três meses de chuva dentro ou acima da média para conseguir recompor os níveis dos mananciais”, detalha Alvim.

Somado a este cenário preocupante, existe a possibilidade do fenômeno La Ninã se formar no início do próximo ano, o que pode provocar um verão mais seco. “Isso pode diminuir a incidência das chuvas intensas, o que ajudaria os mananciais a recuperarem o nível normal de vazão. Caso a estiagem se prolongue, poderemos ter consequências muito graves”, ressalta Alvim.

A estiagem mostrou-se ainda mais intensa no mês de julho, afetando praticamente todo o Paraná, onde as chuvas foram de 80% a 100% menos do que era esperado. Na unidade do Simepar da Lapa, foram registrados neste período 15 milímetros de chuva, enquanto que a média aguardada era de 90 milímetros. Para os próximos dias, o Simepar prevê a chegada de frente fria, mas, que não deve mudar muito o cenário, pricipalmente dos reservatórios.

Operando com nível médio de 31,09%, as quatro barragens que abastecem a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) são um retrato claro do momento delicado que o Paraná enfrenta. “Nunca registramos níveis tão baixos quanto agora. Desde março implantamos um sistema de rodízio, que atualmente atinge 750 mil pessoas todos os dias. Também estamos buscando a captação alternativa, transposição de rios e a economia da população, mas tudo isso tem se mostrando insuficientes”, afirma o diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Julio Gonchorosky. “Cabe a nós termos a responsabilidade de tomar novas medidas, mesmo que sejam mais duras, para garantir o acesso à água pela população futuramente. E é papel também de cada um em fazer um uso racional da água, com zero desperdício”, ressalta.

Outros efeitos – Junto ao problema do comprometimento do abastecimento de água, a falta de chuvas também traz impactos negativos para o meio ambiente, aumentando ainda o risco de queimadas, reduz a qualidade do ar, causando vários problemas respiratórios em um momento de grande preocupação com a Covid-19. Além destes fatores, a estiagem provoca impactos negativos para a economia, afetando diretamente a agricultura, a produção industrial e o fornecimento de energia.

 

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