sábado, 21
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maio
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2022

Ensino primário pode fazer diferença

Muitas vezes já destacamos em nossas páginas e, principalmente, neste espaço a importância do investimento na educação primária. Infelizmente, o modelo brasileiro vai na contramão do que é praticado em países que servem como referência na educação infantil. Recentemente, um estudo promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) comprovou que o Brasil é um dos países que menos gastam com alunos do ensino fundamental e médio, mas as despesas com estudantes universitários se assemelham às de países europeus.

No ano passado, segundo Daniela Fernandes, da BBC, o Brasil gastou US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental (até a 5ª série). O valor em dólar é calculado com base na Paridade do Poder de Compra (PPC) para comparação internacional. E a cifra representa menos da metade da quantia média desembolsada por ano com cada estudante nessa fase escolar pelos países da OCDE, que é de US$ 8,7 mil. Luxemburgo, primeiro da lista, gasta US$ 21,2 mil.

Nos anos finais do ensino fundamental e no médio a situação não é diferente. O Brasil gasta anualmente a mesma soma de US$ 3,8 mil por aluno desses ciclos e também está entre os últimos na lista dos 39 países que forneceram dados a respeito. A média nos países da OCDE nos últimos anos do ensino fundamental e no médio é de US$ 10,5 mil por aluno, o que representa 176% a mais do que o Brasil.

Situação bem diferente quando o assunto é o ensino superior. Neste caso, o valor passa para quase US$ 11,7 mil (R$ 36 mil), mais do que o triplo das despesas no ensino fundamental e médio. Esse número deixa o Brasil próximo de alguns países europeus, como Portugal, Estônia e Espanha, com despesas, respectivamente, por aluno universitário, de US$ 11,8 mil, US$ 12,3 mil e US$ 12,5 mil, e até ultrapassa países como a Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) ou Polônia (US$ 9,7 mil).

O fato é que com baixo investimento na educação primária, muitas crianças e adolescentes deixam de ter acesso ao ensino superior. Governos, de todas as esferas, precisam ter consciência de que o desenvolvimento do cidadão passa principalmente pela sua estruturação nos anos iniciais da escola. Além da formação curricular (português, matemática, história, etc) é fundamental que essas crianças tenham outras possibilidades de aprendizagem e conhecimento.

Ao longo da sua linha editorial, O Regional tem reforçado a necessidade de um olhar diferenciado das prefeituras da região para o ensino primário. A real importância de ir além dos cadernos, livros e sala de aula. Vivemos a plena era da informação e prática digital, onde tudo está acessível a um click. Nosso sonho de consumo é ver escolas municipais extrapolando ensinamentos, experiências e formação. Há bons exemplos espalhados pelo país, é possível copiar, mudar, melhorar e superar.

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