terça-feira, 22
 de 
junho
 de 
2021

As Unidades de Conservação III

Vamos realizar um exercício aonde devemos compreender que as Unidades de Conservação (UC’s) não impedem o desenvolvimento defendido por parte da sociedade. Quem defende a tese de que preservar áreas verdes “atrapalha” ou “atrasa” o bem-estar de uma sociedade age com má fé ou acabou sendo corrompido pela ignorância. Não existe vida sem as florestas e toda vez que falamos em desenvolvimento a palavra sustentável já é resgatada em nosso cérebro.

Podemos ter como exemplo a crise ambiental originada no Bioma Amazônia. As exportações, que em 2018 ultrapassaram o valor de US$ 239,5 bilhões, tiveram a sua expectativa em 2019 ameaçada haja vista a pressão da China, União Européia e Estados Unidos após o aumento de mais de 80% (comparativo a 2018) das queimadas segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esta é a maior alta e também o maior número de registros em 7 anos no país e barreiras comerciais começaram a ser discutidas por nossos parceiros estrangeiros.

Neste caso, quem foi decisivo para que o Governo Federal atual agisse pela preservação da floresta? O agronegócio. O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Vieira, declarou que “a área atualmente ocupada pela agropecuária é de 30% do território brasileiro apenas, mas com os ganhos de produtividade que vêm ocorrendo, nós temos condição de produzir mais que o dobro do que nós produzimos hoje na mesma área. Então, a agropecuária brasileira não precisa expandir (a área utilizada)”.

Não está difícil então termos a clareza no debate da conciliação da teoria do desenvolvimento. Hoje a questão ambiental passou a ser fator comercial importante em todo o planeta. Os países que não se adequarem à esta realidade vão perder inúmeras oportunidades de negócios e, talvez assim, os cidadãos que ainda possuem uma visão míope, ou seja, não enxergam muito bem à distância, começarão a utilizar lentes corretivas para se adequarem ao mundo atual. Preservar ou conservar uma Unidade de Conservação faz bem para a economia.

Por: Raphael Rolim de Moura – Biólogo, Especialista em Gestão e Planejamento Ambiental, Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Professor universitário e atualmente ocupa Diretoria na Comec

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