terça-feira, 15
 de 
junho
 de 
2021

Alta do preço da carne chega a 87% em mercados da região suleste

Cortes tiveram um aumento de quase R$ 15 em um período de dois anos

O brasileiro irá consumir neste ano a menor quantidade de carne vermelha por pessoa em 25 anos, de acordo com a estimativa feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a Companhia, a crise dos últimos anos, recessão econômica, recuperação lenta e a pandemia de coronavírus são alguns dos principais fatores para a queda no consumo de carne desde o ano de 2014.

No ano de 2013, uma pessoa chegava a consumir 96,7 quilos de carne por ano, mas após esse pico no consumo, houveram seis anos de queda. Em 2021, o consumo deve cair 5,3%, por conta do preço dos produtos, além dos números altos da exportação brasileira, encarecendo a carne para os consumidores. A inflação acumulada em 12 meses está em 35,7%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Um levantamento da Conab mostra que a demanda anual de carnes na União Europeia foi de 89,3 quilos por habitante, média dos últimos cinco anos. Na Austrália, ficou em 101,2 quilos; nos Estados Unidos, em 116,8 quilos.

O brasileiro está consumindo menos carne bovina, em contrapartida aumentou o consumo de frango e suínos. Por conta da queda da renda (por fatores como desemprego), as famílias compram menos carnes e acabam substituindo as mais caras, pelas mais baratas, como a de frango.

Um levantamento feito pelo O Regional mostra o aumento dos preços em mercados de cidades da região. O contrafilé em maio de 2019 era encontrado por R$ 15,98 – no ano de 2020 chegou a R$ 20,99 – e hoje é encontrado a R$ 29,90. O aumento nesses dois anos de comparação chega a 87,1%, ou seja, quase o dobro do preço em dois anos.

Um outro exemplo é a carne de porco que em 2019 era encontrada por R$ 6,90 – em agosto de 2020 já era possível encontrar o preço de R$ 10,99 – e hoje é encontrada por R$ 11,99. Esse aumento corresponde a 73,7% do mesmo produto comprado há dois anos.

Outro corte que não poderia deixar de aparecer nesta conta é o frango. No ano de 2019, a coxa com sobrecoxa era comprada por R$ 5,49 o quilo – em 2020 o corte era encontrado por R$ 4,99 – e hoje os preços chegam a R$ 8,99. O aumento representa um ajuste de 63,7%.

O pesquisador do setor de bovinos Guilherme Malafaia disse em entrevista à Reuters, que a pandemia trouxe desemprego e perda de renda. Segundo o pesquisador, isso deixou a população mais pobre, diminuindo a perda de poder aquisitivo e enfraquecendo o consumo de proteínas.

A economista Camila Analia Monaro afirma que vários fatores influenciam a alta do preço da carne. Um dos responsáveis é a queda de renda da população. “Quando a pessoa começa a ter menos dinheiro, ela deixa de consumir determinados produtos. E a carne, por conta do alto preço, teve uma queda no consumo”, comenta.

Camila afirma que as pessoas passam a substituir os produtos, quando há uma elevação muito grande no preço. Um dos fatores que mais pesam no preço da carne é o alto valor do dólar e o número crescente de exportações, que fazem com que o produto fique mais caro no país.

Alternativa para os consumidores – a economista reforça a importância da pesquisa de preços em diferentes mercados, e em novas alternativas, como por exemplo, substituir a carne de primeira pela de segunda.

Perspectiva do futuro – Com a valorização do real, até o fim do ano de 2022, e com a necessidade da queda do dólar, a economista afirma que será possível ter uma mudança nesse cenário. Além da estabilidade da economia, que deve aumentar o poder de compra da população. “Se a renda da pessoa melhorar, ela fará um churrasco para comemorar”, exemplifica Camila. Quando aumenta a renda, aumenta o poder de compra das pessoas, argumenta a especialista.

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