Para quem trabalha em câmaras frias ou transita constantemente entre ambientes com grandes diferenças de temperatura, a pausa térmica vai muito além de uma obrigação trabalhista. O período de recuperação é uma medida de proteção à saúde do trabalhador e, quando bem organizado, pode fazer parte de uma operação mais eficiente.
No Brasil, o artigo 253 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê, nas condições estabelecidas pela legislação, 20 minutos de repouso após 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo para profissionais que atuam no interior de câmaras frigoríficas ou movimentam mercadorias entre ambientes quentes ou normais e frios.
Para Rigoberto Costa, diretor da ztrax, empresa especializada em monitoramento indoor e outdoor de pessoas e ativos, ainda existe uma visão equivocada de que as pausas representam necessariamente perda de tempo e produtividade:
“Produtividade não é simplesmente manter uma pessoa trabalhando pelo maior número possível de minutos. É criar condições para que ela desempenhe bem sua função durante toda a jornada. Em atividades com exposição ao frio, a recuperação faz parte da operação”, afirma Costa.
O desafio aumenta em indústrias com dezenas ou centenas de profissionais circulando simultaneamente por ambientes refrigerados. Acompanhar manualmente quando cada trabalhador entrou em uma área, quanto tempo permaneceu exposto e quando realizou a pausa pode tornar a gestão complexa.
Tecnologias de localização em tempo real, conhecidas como RTLS (Real-Time Location System), permitem automatizar esse acompanhamento. Com dispositivos utilizados pelos colaboradores, como crachás, relógios ou tags, registra entradas, saídas e tempos de permanência, além de emitir alertas para os gestores de maneira automática:
“Se o gestor sabe que um trabalhador está chegando ao tempo previsto de permanência em determinada área, pode organizar a pausa e a substituição sem comprometer o fluxo da operação. Saúde e produtividade não precisam estar em lados opostos. Com informação, é possível planejar as duas juntas”, explica.
Os registros também ajudam a compreender a dinâmica das equipes, períodos de maior movimentação e utilização das áreas de recuperação, oferecendo dados para dimensionar pessoas e organizar fluxos de trabalho.

