A cardiologia vive um momento de transformação com a consolidação de novas classes farmacológicas que vão muito além da simples redução de ponteiros na balança. As chamadas canetas emagrecedoras estão revolucionando o mercado e provocam questões sobre a sua real eficácia e aplicação geral para o centro do debate.
Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida estão redefinindo a prevenção de doenças do coração e influenciando diretamente no estado geral de saúde do paciente, é o que afirma o cardiologista e diretor de comunicação da SPC, Dr. José Knopfholz.
De acordo com o médico, o cenário atual permite uma abordagem muito mais eficaz do paciente obeso. O entendimento da obesidade como uma doença crônica e inflamatória e não mais apenas como um fator de risco, é o que sustenta o uso dessas novas ferramentas no consultório.
Medicamentos como a semaglutida já demonstram reduções significativas em eventos cardiovasculares, chegando a 20% em pacientes não diabéticos e até 26% naqueles com diabetes:
“Estamos diante de um grande sistema de homeostase. Começamos a entender que essas medicações atuam em receptores presentes não apenas no intestino, mas também no cérebro, nos vasos e até no átrio esquerdo”, explica Dr. Knopfholz.
Proteção além do peso
Um dos pontos centrais é que o benefício cardiovascular desses injetáveis não é apenas uma consequência do emagrecimento, mas sim de uma ação direta na redução da inflamação e na melhora da função endotelial. Para o cardiologista, oferecer essa proteção é tão importante quanto o controle do peso em si:
“Entretanto, a sociedade não pode se enganar, não há uma “receita de bolo” ou solução isolada. O tratamento é um banquinho de três pernas: medicação, dieta equilibrada e exercício físico. Se faltar uma, as outras caem”, encerra .
Outro ponto importante, de acordo com o cardiologista, é a ênfase de que o acompanhamento desse tipo de tratamento deve ser contínuo para evitar o reganho de peso e garantir que a proteção do coração seja permanente.

