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2024

Júri do caso Loir Dreveck e Genésio de Almeida ocorre na próxima semana

Salão do Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Rio Negro, onde será realizado o julgamento dos réus acusados de envolvimento nos crimes
São quatro réus que irão a julgamento no Fórum da Comarca de Rio Negro. Eles são acusados de envolvimento nos crimes contra o prefeito eleito de Piên em 2016, Loir Dreveck, e do técnico de segurança do trabalho Genésio Almeida. Defesas alegam inocência

 

Um dos julgamentos mais aguardados dos últimos anos na região será realizado na próxima semana. Está marcado para começar às 8h30 de terça-feira, dia 21 de junho, o Júri do caso dos crimes cometidos contra o prefeito eleito de Piên em 2016, Loir Dreveck, e contra o técnico de segurança Genésio Almeida. A sessão de julgamento ocorre no salão do Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Rio Negro, que abrange Piên.

Como em todo crime contra a vida, a decisão será em Júri Popular, em sessão que deve ser conduzida pelo Juiz da Comarca, Dr. Rodrigo Morillos. O sorteio de 25 jurados ocorreu no início do mês, de forma virtual. Destes, sete, que efetivamente participarão do julgamento, serão sorteados no início da sessão.

O julgamento é basicamente dividido em duas partes: a acusação, que é feita por promotor e advogados assistentes de acusação, e a defesa, que são os advogados que defendem os réus. Ambas as partes têm o mesmo tratamento. Por parte do Ministério Público, houve a indicação de mais um promotor para atuar no caso, sendo assim dois.

A expectativa é de um julgamento longo. Devem ser ouvidas 25 testemunhas, além de serem interrogados três dos quatro réus, considerando que um deles, o acusado de ser o atirador, até esta semana encontrava-se foragido, o que não o impede de ser julgado e de ser representado por advogados em sua defesa. Eles também têm o direito de ficar em silêncio. As testemunhas são indicadas pelas partes e a informação é de que neste caso todos foram indicados pelas defesas. Tanto promotores, advogados assistentes de acusação e advogados de defesa, quanto Juiz e jurados podem fazer perguntas às testemunhas e aos réus.

O local contará com policiamento para que, como em todo Júri, haja segurança. Cada réu será julgado individualmente por cada fato. No processo em questão são quatro réus e dois homicídios. O voto de cada jurado é secreto e o que se saberá depois é a decisão do grupo. Ao final, seja qual for o resultado, caberá recurso da decisão, o que cabe ser feito ao Tribunal de Justiça de Curitiba. Segundo informações do Fórum da Comarca de Rio Negro, será dada atenção máxima a este caso, assim como a todos os outros.

Entre os réus no processo estão o ex-prefeito Gilberto Dranka e o ex-presidente da câmara Leonides Maahs, apontados nas investigações policiais como mandantes. Também são réus Orvandir Arias Pedrini, tido como intermediário entre mandantes e executor, e Amilton Padilha, acusado de ser o atirador nos fatos que culminaram nas mortes.

O Júri – Ao início da sessão, estando tudo em ordem, ocorre o sorteio dos sete jurados e são feitas as orientações iniciais. Em seguida é feita a apresentação do caso aos jurados. Depois as partes indicam documentos e provas. A fase seguinte é a de provas orais, que é ouvir as testemunhas. Ocorre também o interrogatório dos réus. Depois ocorre o chamado debate, onde o Ministério Público e os advogados auxiliares, pelo lado da acusação, e os advogados de defesa, pela defesa dos réus, fazem suas considerações finais, tendo o mesmo tempo. Em seguida vem a réplica e tréplica, se necessário, entre as partes. Encerrado isto, os jurados vão para a sala secreta, onde depositam seus votos em urna, decidindo assim se o réu é condenado ou absolvido. Se a decisão for por condenação, o Juiz examina e fixa a pena. A decisão é por fim anunciada pelo Juiz.

Família e advogados assistentes de acusação

A assistência de acusação da família Dreveck, representada pelo advogado Samir Mattar disse que o processo está embasado em amplas provas produzidas em um trabalho de excelência realizado pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado do Paraná. Assim as famílias das vítimas aguardam o julgamento esperando pela efetivação da Justiça com a condenação dos réus pelos graves crimes praticados. Segundo ele, espera-se que haja condenação a pelo menos 30 anos de prisão.

Rosilda Dreveck, irmã de Loir, disse que a família espera com o julgamento encerrar esse ciclo doloroso. “Nada vai trazer o Loir e o Genésio de volta. Então a gente já perdeu, nós nunca vamos ganhar este jogo. Porém, é necessário que todos conheçam a verdade e toda a investigação que foi feita, tudo que foi descoberto pelo excelente trabalho da polícia. Nós não queremos vingança, queremos apenas justiça, para que outros crimes de pistolagem não ocorram e que o nosso município não seja mais conhecido como palco de dois crimes hediondos planejados e praticados com requintes de crueldade. Tiraram nossos entes queridos, tiraram nossa paz, será que já não nos fizeram sofrer o suficiente? Alguém tem que parar estas pessoas. Por ninguém nunca ter feito isso é que eles chegaram ao ponto que chegaram. Então, nos termos das provas da polícia e do Ministério Público, esperamos que sejam condenados e que sejam presos em plenário, caso seja esta a decisão dos jurados”, declarou ela.

O advogado Eloi Leonardo Dore, auxiliar de acusação pelo lado da família de Genésio, disse estar bem confiante com o resultado, em defesa da memória de Genésio e Loir. Ele espera que o julgamento tenha o desfecho merecido que é a acusação por essa barbárie. Disse esperar que isso traga alívio para as famílias e a resposta que os cidadãos de Piên merecem.

O que dizem as defesas

O advogado Claudio Dalledone Junior, da defesa de Gilberto Dranka, declarou que “A nota distintiva do julgamento que se avizinha são os personagens escolhidos para figurar na acusação. Estão importando acusadores profissionais que nada têm de compromisso com a Justiça para advogar uma condenação absurda e ignóbil. A defesa está preparada para enfrentar e desmascarar aqueles que de maneira insólita querem criar um assassino”.

A defesa de Leonides Maahs, representada pelo advogado Nilton Ribeiro de Souza, diz acreditar na Justiça acima de tudo. “Temos certeza que este Tribunal do Júri, marcado para a próxima semana, irá absolver Leonides Maahs, porque o mesmo é inocente e a instrução processual já provou isso. Agora, temos certeza absoluta que o conselho de sentença irá fazer justiça e absolver Leonides Maahs deste crime horroroso, hediondo, que aconteceu em Piên”, declarou.

O advogado Renan Martins Moreira, que atuou na primeira fase da defesa de Amilton Padilha, sustentou a absolvição sumária por inexistência de indícios mínimos de autoria. Também da defesa do mesmo réu, o advogado Jeffrey Chiquini da Costa disse que a sociedade vai se surpreender com a verdade dos fatos. “Vamos desmascarar a armação feita para os acusados. Vou provar para os jurados que o Amilton não participou dos fatos”, complementou.

Até o fechamento desta reportagem, a equipe deste semanário não teve retorno da defesa do réu Orvandir Arias Pedrini.



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