A economia circular deixou de ser tendência para se tornar prática concreta na indústria brasileira. Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que cerca de 6 em cada 10 indústrias do país, já adotam algum tipo de ação ligada ao reaproveitamento de recursos, reciclagem ou aumento da vida útil dos produtos.
Esse movimento representa um avanço relevante para a gestão de resíduos em diversos setores. Materiais como entulhos da construção civil, vidro, papel, pneus, resíduos orgânicos e, especialmente, o óleo vegetal usado passam a ganhar novas rotas de reaproveitamento dentro da lógica circular.
O impacto ambiental desses resíduos é expressivo. Uma lata de alumínio descartada pode levar entre 200 e 500 anos para se decompor em aterros. Já embalagens plásticas podem ultrapassar 400 anos, enquanto o vidro pode permanecer no ambiente por até 4 mil anos.
Nesse cenário, o óleo vegetal usado se destaca como um dos resíduos mais problemáticos:
“O óleo tem o agravante da sua condição líquida, que amplia o poder contaminante em rios e solos, além da dificuldade de armazenamento e transporte. Muitos restaurantes, bares e até condomínios já entenderam a importância de incluir a coleta de óleo vegetal no processo de reciclagem”, destaca Vitor Dalcin, diretor da Ambiental Santos, pioneira em reciclagem de óleo vegetal no sul do Brasil.
O ciclo do óleo dentro da economia circular
O reaproveitamento do óleo começa com os chamados geradores, podem ser pequenos ou grandes, pessoas físicas ou jurídicas que separam corretamente o resíduo. O armazenamento pode ser feito em bombonas específicas ou em garrafas plásticas bem vedadas, como as PETs, que oferecem segurança no transporte.
Cooperativas, organizações sociais, condomínios e estabelecimentos comerciais podem se cadastrar para realizar o descarte correto, geralmente com coleta agendada junto às empresas responsáveis.
Após a coleta, o óleo passa por etapas rigorosas de triagem e separação, que eliminam impurezas e evitam contaminações. Somente depois desse processo o material volta ao ciclo produtivo:
“O óleo reciclado pode ser utilizado principalmente pela indústria química, retornando à cadeia produtiva sem gerar impacto ambiental e contribuindo para uma vida mais saudável para as futuras gerações”, conclui Dalcin.

