segunda-feira, 29
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junho
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2026

Cultura ética vira exigência de mercado e empresas criam canais de denúncia para ESG

A corrida corporativa pela conformidade com a agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) atingiu um novo patamar de exigência no Brasil. Se nos últimos anos o mercado concentrou esforços nos pilares ambiental e social, em 2026 a atenção se voltou definitivamente para o “G”, de Governança.

De olho em investidores cada vez mais seletivos e parceiros comerciais rigorosos, empresas de médio e grande porte estão acelerando a implementação de programas de compliance robustos. O principal termômetro dessa maturidade tem sido a criação de canais de ouvidoria e denúncia digitais e independentes, fundamentais para blindar a saúde ética e financeira dos negócios.

De acordo com especialistas em governança corporativa, o grande desafio das organizações modernas é transformar manuais de conduta teóricos em práticas cotidianas mensuráveis.

Um exemplo prático dessa guinada estratégica está no setor de infraestrutura e engenharia civil, como é o caso da paranaense Grupo De Amorim. A companhia acaba de oficializar o lançamento de seu novo Canal de Ouvidoria e Denúncias, operado por meio de uma plataforma digital externa que assegura o sigilo total e impede o rastreamento do denunciante.

Para Maristela Marchezani, diretora de desenvolvimento organizacional do Grupo, o amadurecimento do mercado exige que as lideranças abandonem discursos institucionais superficiais.

“A governança de uma empresa não se sustenta apenas com boas intenções; ela necessita de ferramentas vivas que deem voz e segurança ao seu ecossistema. Adotar um canal com garantia absoluta de anonimato é um divisor de águas para qualquer cultura organizacional. Ao abrir as portas para que colaboradores, fornecedores e parceiros relatem irregularidades com tranquilidade e sem medo de retaliações, estamos protegendo o futuro ético da operação.”

Para isso, o mercado tem buscado soluções que garantam o anonimato absoluto e a segurança jurídica de quem relata desconformidades com a lei ou com as normas internas. Sem uma ferramenta segura, desvios operacionais ou financeiros podem passar anos ocultos da alta administração.

No modelo adotado pelo Grupo De Amorim, cada demanda enviada gera um protocolo sigiloso que é encaminhado diretamente ao Comitê de Compliance interno para que sejam iniciados os ritos de auditoria e aplicação de medidas administrativas cabíveis.

Marchezani reforça que antecipar-se aos riscos operacionais e jurídicos por meio da transparência coletiva é a única estratégia sustentável para o empresariado atual.

“Mitigar riscos antes que eles virem crises reais é a essência do ESG. As companhias que não se estruturarem para oferecer ambientes transparentes e orientados pela ética vão, inevitavelmente, perder espaço competitivo, contratos importantes e relevância de mercado”, finaliza a diretora .

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