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2026

Chuvas aumentam risco de contaminação por leptospirose

Período chuvoso acende alerta para ocorrência de leptospirose. Foto: Gilson Abreu/AEN
Período chuvoso acende alerta para ocorrência de leptospirose. Foto: Gilson Abreu/AEN
Doença é causada por contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente ratos. Em 10 anos, região contabilizou 101 casos de leptospirose

Em meio aos transtornos decorrentes do período chuvoso em toda a região, o aumento do volume de chuvas, resultando em enchentes e inundações, também é um fator de alerta para a leptospirose. Dados repassados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que no período de 2016 e 2025 foram 101 casos da doença nos dez municípios do suleste paranaense.

Considerada uma doença infecciosa, a leptospirose é uma zoonose, ou seja, tem relação com transmissão animal, principalmente aos roedores. Os ratos podem eliminar pela urina a bactéria causadora da enfermidade, chamada Leptospira, contaminando água, lama, solo e ambientes onde as pessoas circulam.

A médica Kassiane Ritzmann Grosskopf, que atua na rede de saúde de Piên, explica que transmissão acontece principalmente quando a pessoa entra em contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente ratos. “Por isso, o risco aumenta em situações de enchentes, alagamentos, contato com esgoto e locais com presença de roedores. Os sintomas iniciais podem ser febre, dor de cabeça, mal-estar, náuseas e vômitos. Um sintoma bastante característico é a dor muscular intensa, principalmente nas panturrilhas. Algumas pessoas também podem apresentar olhos avermelhados. Já nos casos mais graves podem surgir pele e olhos amarelados, diminuição da urina, sangramentos e falta de ar”, explica.

De acordo com a profissional, a doença é tratável e tem cura. “O tratamento é feito principalmente com antibióticos e apresenta melhores resultados quando iniciado precocemente. Nos casos leves, geralmente é possível realizar o tratamento de forma ambulatorial. Já os pacientes que apresentam sinais de gravidade, como falta de ar, sangramentos, icterícia, queda da pressão ou diminuição importante da urina, precisam de avaliação hospitalar e podem necessitar de internação. É importante destacar que, quando existe uma suspeita clínica significativa, o tratamento pode ser iniciado antes mesmo da confirmação dos exames”, complementa.

Segundo Kassiane, a maioria dos casos pode evoluir bem quando tratada precocemente, mas a leptospirose pode se tornar uma doença grave. “Ela pode comprometer principalmente os rins, o fígado e os pulmões. Uma das formas mais graves é chamada de síndrome de Weil, caracterizada por icterícia, que é a pele amarelada, insuficiência renal e manifestações hemorrágicas. Também pode ocorrer hemorragia pulmonar e insuficiência respiratória, situações que podem necessitar de internação em UTI e podem levar à morte”, detalha.

A médica reforça as formas de prevenção. “A principal forma de prevenção é evitar o contato com água ou lama que possam estar contaminadas. Após enchentes ou alagamentos, deve-se evitar andar descalço ou entrar na água sem proteção. Quando o contato for inevitável, é importante utilizar botas e luvas impermeáveis. Também é fundamental manter alimentos e rações armazenados em recipientes fechados, manter o lixo acondicionado corretamente, evitar o acúmulo de entulhos e combater a presença de roedores. E é importante evitar a automedicação. Quanto mais cedo a leptospirose é reconhecida e tratada, maior é a chance de uma boa evolução”, finaliza.

Dos 101 casos confirmados em 10 anos no suleste paranaense, Fazenda Rio Grande foi a cidade que mais teve ocorrência da doença, com 46 registros, enquanto Campo do Tenente contabilizou apenas um caso ao longo do período analisado.

Casos de leptospirose. Arte: O Regional
Casos de leptospirose. Arte: O Regional

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