Manter profissionais qualificados e engajados dentro das organizações tornou-se um dos desafios mais complexos para as áreas de RH no Brasil. Um estudo nacional realizado pelo Opinion Box revela que o Employee Net Promoter Score (e-NPS) médio das empresas brasileiras, indicador que mede a probabilidade de um colaborador recomendar seu emprego atual para um amigo, está em apenas 6 pontos, em uma escala que varia de -100 a 100.
O cenário de “satisfação neutra” mostra que o mercado está perigosamente instável: 20% dos trabalhadores ativos revelam a intenção de mudar de emprego e 19% pensam em abrir o próprio negócio ao longo de 2026.
De acordo com os dados compilados no relatório “A Jornada do Candidato no Recrutamento e Seleção”, a calmaria nas planilhas de rotatividade pode ser ilusória. Embora muitos profissionais não estejam necessariamente em conflito aberto com seus empregadores atuais, a pesquisa demonstra que a passividade do mercado acabou. Quase 60% dos respondentes afirmam que estão em busca de uma nova oportunidade:
“Muitas lideranças confundem um ambiente silencioso com um ambiente saudável. O e-NPS baixo mostra que falta engajamento. Um clima interno excelente não é aquele sem cobranças; pelo contrário, um bom ambiente pode e deve ser competitivo, focado em alta performance e metas claras, desde que ofereça segurança psicológica. O profissional moderno quer ser desafiado a crescer, e não apenas tolerar a rotina”, conta Karina Pelanda, gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA.
Os candidatos que buscam outra colocação estão divididos entre os que buscam ativamente (26%) e os que buscam de vez em quando (32%). Somados a eles, outros 19% não procuram, mas confessam estar totalmente abertos a propostas externas.
Para a especialista, a solução para conter essa onda de migração não está apenas em cobrir propostas financeiras de última hora, mas sim em desenhar ofertas de Valores completos e eficientes:
“O salário continua sendo um pilar decisivo, mas a decisão do profissional moderno é multifatorial. Quando olhamos para o que desempata uma escolha entre duas propostas, o plano de carreira estruturado pesa para 35% dos candidatos, o pacote de benefícios para 32% e a flexibilidade de horários para 26%”, conta Pelanda.
Ainda segundo a especialista, as empresas precisam entender que disputar talentos apenas por leilão salarial é uma estratégia cara e insustentável.:
“O plano de carreira estruturado pesa para 35% dos candidatos, porque eles buscam um ambiente em que a competitividade interna seja recompensada com evolução clara. Construir uma jornada onde o colaborador enxergue o seu crescimento por meio do mérito e do desafio é o que realmente retém os melhores talentos no mercado atual”, finaliza.

