Apesar de associadas culturalmente aos homens, as doenças cardiovasculares (como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral) são a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras, superando o câncer de mama e outros tumores ginecológicos.
No Brasil, em 2023, segundo dados do Ministério da Saúde mais de 182 mil mulheres morreram por causas cardiovasculares, representando cerca de 47% do total de óbitos por essas doenças no país, proporção que se mantém estável nos últimos anos, e do Observatório da Saúde Cardiovascular do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).
No Paraná, o cenário segue padrão semelhante: as doenças cardiovasculares continuam entre as maiores causas de mortalidade feminina, com tendência de redução nas taxas padronizadas por idade nas últimas décadas, mas ainda com subnotificação e diagnóstico tardio, especialmente entre mulheres.
Segundo Dr. Jose Knopfholz, cardiologista e diretor de comunicação da Sociedade Paranaense de Cardiologia, embora haja progresso na redução da mortalidade cardiovascular no Sul do Brasil, incluindo o Paraná, as mulheres ainda enfrentam barreiras:
“Os sintomas do infarto muitas vezes são atípicos (fadiga extrema, falta de ar, dor nas costas, no estômago ou na mandíbula, em vez da clássica dor no peito), o que atrasa a busca por ajuda. Além disso, fatores como menopausa, uso de anticoncepcionais, estresse crônico, dupla jornada e hipertensão gestacional aumentam o risco ao longo da vida”, explica dr. Knopfholz
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as mulheres têm maior mortalidade após infarto em comparação aos homens (devido ao maior tempo até o tratamento), e há aumento preocupante de casos em faixas etárias mais jovens (20-39 anos), impulsionado por obesidade, sedentarismo, tabagismo e estresse.
Sinais de alerta que as mulheres não podem ignorar:
- Dor ou desconforto no peito, costas, pescoço, mandíbula ou estômago;
- Falta de ar intensa, mesmo em repouso;
- Fadiga extrema ou súbita;
- Náuseas, vômitos ou sudorese fria;
- Tontura ou desmaio.
“Prevenção é possível e começa cedo: controle da pressão arterial, colesterol e glicemia; prática regular de atividade física (pelo menos 150 minutos/semana); alimentação equilibrada com redução de sal e gorduras saturadas; não fumar; e check-ups regulares, especialmente após os 40 anos ou na menopausa” finaliza Dr. José.

