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Contra 13º para político

24 de novembro de 2017 em Editorial - Comente

Por mais esperança que se tenha no futuro do Brasil e disposição para contribuir na construção de uma nação mais justa e promissora, há momentos que nos sentimos esmorecidos e desacreditados que mudanças são possíveis. Nesta semana, algumas centenas de vereadores estão reunidos em Curitiba para um congresso da União das Câmaras Municipais (Uvepar) e na solenidade de abertura uma demonstração real de que os bons exemplos não existentes “lá em cima”, leia-se Congresso Nacional, por vezes também não existem por aqui.

Nas quase três horas de discursos no início do congresso o destaque ficou especialmente na defesa feita pela direção da entidade para o pagamento do décimo terceiro salário aos vereadores. Quando o presidente Julio Makuch informou que a Uvepar ingressou com uma ação no Tribunal de Justiça para liberar o pagamento do décimo a partir desse ano a comemoração balançou o auditório. Minutos antes, o deputado e primeiro secretário da Assembléia Legislativa do Paraná, Guto Silva, havia arrancado aplausos ao dizer que “se parlamentares estaduais e federais recebem o décimo terceiro, por isonomia, os vereadores também merecem e têm direito”.

Ao dirigente maior da Uvepar coube ainda defender o pagamento de diárias, viagens e a barganha por parte dos legisladores com o poder executivo para a votação de projetos e outros encaminhamentos. Segundo ele, essa é a forma de mostrar “a força da câmara”. Vale dizer que a realização de eventos para a capacitação da classe política no intuito de que possam desempenhar de forma positiva suas funções é salutar. Mas pelo que se entendeu na abertura do congresso da Uvepar o principal objetivo é ampliar recursos para usufruto dos políticos.

É realmente decepcionante e triste imaginar, e neste caso comprovar, que todos esses agentes públicos estejam acreditando que estão fazendo a coisa certa. É importante lembrar que na maioria absoluta das cidades paranaenses os vereadores não se reúnem mais do que uma vez por semana e há, para isso, uma remuneração bem satisfatória. Grande parte fazem do cargo carreira e ficam por um, dois, três, quatro ou mais mandatos. Curiosamente, quase todos reclamam, mas ninguém é obrigado a se candidatar e continuamente maioria absoluta disputam a reeleição para se manter na função, o que é matematicamente e historicamente comprovado.

Mesmo diante de toda a crise que o país atravessa, de toda dificuldade e probreza de muitos municípios, das condições precárias na saúde, educação e geração de empregos, os vereadores acreditam ser normal e justo receber décimo terceiro salário. E assistimos ainda um parlamentar defender o pagamento num comparativo com os demais poderes, sendo que ele deveria fazer o contrário, defendendo a extinção dos pagamentos daqueles que atualmente recebem.

No mesmo tempo que estamos falando da necessidade de reformas, de redução do tamanho do estado, de extinção de cargos públicos e dos seus penduricalhos, assistimos nossos representantes mais próximos reivindicando maiores benesses. Como fazer o Brasil dar certo diante de tamanha inversão de valores e conceitos? Será pagando décimo terceiro para agentes públicos? Certamente não.

Sem generalizar ou tratar esse assunto no âmbito pessoal, O Regional se posiciona contra o pagamento de décimo terceiro para agente público. Independente da sua legalidade ou não, é uma questão moral, de princípios, de mudar esse triste quadro onde político virou profissão e para tal precisa ser muito bem remunerado.

Acreditamos no bom senso dos vereadores locais e na permanente vigilância da população. A nossa região pode fazer diferente, pode servir de exemplo.

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